AGENCIA BRASIL - 20/11/2005
Ampliação
de Programas de Acolhimento Familiar é tema
de debates em Campinas
Aline Beckestein
Repórter da Agência Brasil
Rio - Aumentar o número de municípios
brasileiros que tenham programas de acolhimento familiar
é um dos principais objetivos do II Colóquio
Internacional sobre Acolhimento familiar, que será
aberto hoje (20) em Campinas (SP) e vai até
a próxima quarta-feira (23).
A informação é de Claudia Cabral,
diretora executiva no Brasil da organização
não-governamental Terra dos Homens, uma das
entidades organizadoras do evento. O acolhimento familiar
proporciona um lar provisório para crianças
afastadas da família por causa de violência
doméstica ou pela prisão dos pais.
Segundo Claudia Cabral, apenas em municípios
do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina,
Rio Grande do Sul e Belo Horizonte há programas
estruturados de acolhimento familiar. Ela informou
que o programa começou a ser implantado no
país nos anos 50, mas acabou sendo abandonado.
Somente há dois anos, a iniciativa foi retomada,
com incentivo do Ministério do Desenvolvimento
Social e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
Claudia disse que a falta de núcleos do programa
é um problema comum em outros países
da América Latina. Por isso, foram convidados
para o debate representantes da Argentina, Paraguai
e Chile, que irão discutir a questão
com grupos de acolhimento familiar que atuam na França
e na Itália, considerados países-referência
neste tipo de programa. O encontro também pretende
fazer um levantamento da situação do
acolhimento familiar na América Latina.
A diretora da ONG lembrou que em muitos países,
como o Brasil, existe a cultura de abrigar crianças
em instituições. Segundo ela, em alguns
casos, elas permanecem nesses locais por tempo indeterminado.
As vantagens do acolhimento familiar, para ela, são
indiscutíveis. "Numa família, a
criança recebe atenção individual,
podendo se desenvolver melhor nos estudos e afetivamente.
É um tipo de tratamento que nenhuma instituição
pode oferecer", defendeu.
As famílias interessadas em participar do
programa podem procurar as secretarias de Assistência
Social dos municípios que tenham o programa
implantado. Durante o tempo em que as crianças
estão sob os cuidados temporários de
uma família, elas continuam mantendo contatos
periódicos com os pais biológicos, até
que eles sejam considerados aptos para retomarem a
guarda de seus filhos. |